Tenho um defeito horrível!

Tenho um defeito horrível!!!

 

Sim, sim, eu sei … tenho vários, mas nestes dias tenho pensado muito acerca de um, e ainda bem, visto que pensar em todos ao mesmo tempo poderia tornar-se uma tarefa demasiado esmagadora 🙂

Mas sobre este defeito … tenho uma incapacidade crónica, uma dificuldade imensa, uma intransigência atroz para tolerar o falhanço e a minha incapacidade para concretizar algo a que me proponho. É verdade, e eu sei que muitos se identificarão com isto. É impressionante como eu sofro, sofro mesmo, quando me apercebo que meti o pé na poça ou que não fui suficiente para concluir com sucesso algo importante. Fico mal comigo, chego a chorar e durante uns dias prefiro ter o mínimo possível de interação com outros seres humanos, o que na minha profissão se torna quase impossível 🙂

Claro que a intensidade do meu mau estar depende do grau de gravidade do meu tropeção, mas no geral a coisa não é agradável de todo.

Estou certa de que alguns de vocês, que são batidos nestas coisas do desenvolvimento pessoal e psicologia positiva, devem estar a pensar “Joaninha, não existe falhanço, apenas feedback!” ou ainda “Joaninha, essa tua tentativa de fazer tudo bem é apenas uma manifestação da tua vontade egóica de perfeição e como tal é absurda e impossível!” ou, a melhor de todas, “Joaninha, são os nossos erros que nos fazem evoluir e crescer como seres humanos, por isso deves estar grata por todas as experiências da tua vida!” … eu sei, eu sei, mas bora lá estatelares-te no chão sem tempo para colocar as mãos à frente para ver como é agradável!!!

Sejamos honestos, ninguém gosta disso … aliás, como diz uma pessoa muito importante na minha vida, “Até seria estranho se depois de um jogo de Portugal no qual levamos 5 golos víssemos os jogadores todos contentes a dizer frases como “Que boa aprendizagem esta, hein. Estou tão grato por isto ter acontecido!”” LOL Estão a ver a cena, não é?

A verdade é que é mesmo chato ser assim tão intolerante ao falhanço, eu adorava ser tão iluminada para ficar logo logo super grata assim que dou com a cara no chão. Mas não sou …

Claro que, como em tudo na vida, há um lado super positivo … faço tudo, tudo, tudo para ter sucesso naquilo que proponho para mim. O receio de cair é tão grande que dou o máximo e ainda o impossível para que tudo corra bem e isso, claro está, aumenta e muito a minha probabilidade de sucesso.

Às vezes perguntam-me como consigo certas coisas ou o que me distingue de outras pessoas e costumo dizer que é Paixão e Consistência … mas a verdade … a verdade verdadinha … é que é o Medo … O medo de não ser boa, de não estar à altura e de me espalhar ao comprido. Ai Meu Deus! Que medo!!!!

Claro que ter a minha dose de loucura crónica também ajuda, visto que quando algo me assusta percebo que tenho mesmo de olhar para isso com olhos de ver. Por isso, a maioria das vezes e mesmo que demore algum tempo, acabo por me atirar, de olhos fechados, sem saber muito bem onde os meus pés vão cair no final do salto, mas claro … garantido sempre que fiz tudinho para não cair com os dois pés na poça. E normalmente corre bem. E acabo por conseguir o que quero. E fico super feliz por mais uma vez ter-me desafiado para enfrentar este medo.

Quando não corre bem … E para algumas coisas não correrem bem basta estar vivo … permito-me ter o espaço que preciso para estrebuchar, reclamar e amaldiçoar a minha vida e depois … Passa … tudo passa … e depois desse tempo … ATENÇÃO! APENAS DEPOIS desse tempo … percebo como essa situação me será útil no futuro e como graças a ela sou mais forte e mais rica… Mas só depois!!!!!

Uma sugestão … quando um amigo teu estiver a estrebuchar depois de um falhanço, não tentes ajudá-lo a ficar bem … ele pode precisar desse tempo.

Em vez disso diz-lhe “É! Isso foi chato mesmo!” e depois cala-te, fica lá, e pergunta-lhe só o que ele precisa de ti … provavelmente ele só precisa de tempo e de sentir que mesmo assim … Mesmo que ele não seja perfeito … Tu continuas a amá-lo.

Tenham um dia lindo, com falhanços ou não … logo se vê! 🙂

Jo ♥

 

(Texto escrito no meu perfil de facebook num daqueles momentos de inspiração que me apetece partilhar com o mundo  🙂 )

 

 

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