Cá para mim … somos todos loucos …

Cá para mim … Somos todos loucos …

 

450 milhões de pessoas diagnosticadas com uma doença psiquiátrica …

Como curiosa e interessada nos temas da psicologia, tenho tido a sorte de aprender com Psicólogos e Psicoterapeutas que defendem a necessidade de olhar para o ser humano dentro de toda a sua complexidade e não simplesmente classificá-lo com um diagnóstico estandardizado cujos sintomas provavelmente encaixariam na maioria de nós.

Aquilo que os profissionais que eu sigo defendem e que para mim faz todo o sentido, como alguém assumidamente leiga, mas dedicada há alguns anos a estudar as mais variadas forma de desenvolvimento humano, é que na atualidade as pessoas procuram respostas e soluções rápidas para os seus problemas. Defende-se o estar sempre bem, o estar sempre melhor, o estar sempre feliz, o sempre mais, o sempre para cima e assume-se que estar triste, melancólico, nostálgico são coisas negativas e que devem ser eliminadas rapidamente.

Aquilo em que acredito, e que tem sido fundamental nas minhas próprias aventuras pessoais, é que o processo de alienação ou de regressão da libido (o ocasional e simples sentir-me triste ou não estar bem) é fundamental para o meu desenvolvimento e que é nesse processo de me permitir sentir exatamente aquilo que estou a sentir nesse momento, por muito negativo que aparentemente seja, que me vai permitir encontrar a verdadeira “cura” que o meu desenvolvimento como ser humano precisa que eu encontre.

Não estou a falar de casos extremos e que possam colocar em causa a vida da própria pessoa ou de outros, estou a falar de uma grande parte dos 450 milhões de pessoas que são descritas neste VÍDEO … 450 milhões!!!

Para além da evidente falta de ética por parte de profissionais e indústria farmacêutica, para mim, neste documentário faltou falar de uma coisa fundamental…

O que é que se passou connosco, seres humanos vulgares, para permitirmos ser sujeitos a este tipo de manipulação?

Somos nós, cada um de nós, que preferindo uma solução rápida para os nossos problemas, uma anestesia espiritual, um adormecimento qualquer que nos colocámos nesta situação. Medicamos a nós próprios, medicamos as nossas crianças e tudo pela falta de vontade de abordar as questões da nossa vida como elas realmente são, olhar para as nossas dores e perceber de onde vêm, o que nos querem dizer.

A esta escolha chamar-lhe-ia Preguiça, chamar-lhe-ia Falta de Coragem.

Eu própria fiz esta escolha várias vezes na minha vida e sinto muita compaixão pelas pessoas que acompanho e que escolhem este caminho … Pois sei o difícil que é, o exigente que é dizer a mim mesma “Não! Hoje não vou fingir mais. Hoje vou ver a verdade. Hoje deixo de fugir. Hoje escolho outro caminho”.

É apenas permitindo-me entrar numa “Noite escura da alma”, que poderei estar presente para o nascer do sol .. claro que essa noite assusta, pois é nela que vamos encontra os nosso demónios, mas também é ela que nos mostra os nossos heróis … e por isso dá trabalho, é exigente para nós … Esquecemo-nos que o nosso sofrimento é apenas um sintoma de algo muito maior que se passa dentro de nós, dentro da nossa alma, coração, cérebro … o que lhe quisermos chamar.

Anestesiarmo-nos, negarmos, fingirmos que está tudo bem funciona apenas como colocar um penso rápido em cima de uma ferida, que por baixo dessa fina camada de pele aparentemente em reconstrução, está podre …

450 milhões … acho que é pouco … Cá para mim somos todos loucos e apenas porque de vez em quando estamos tristes e temos razões para isso … e ainda bem … imagina se o mundo estivesse todo saudável. Seria uma loucura 🙂

A minha sugestão para ti … permite-te uma loucura ou outra, afinal de contas provavelmente já terias direito a um diagnóstico psiquiátrico qualquer só por estares vivo, por isso mais vale aproveitá-lo 🙂

Tem um lindo dia, ou um dia melancólico … na verdade ambos têm a sua beleza … aprende a apreciá-la … Seu LOUCO!!!! 🙂

 Jo ♥

 

(Texto escrito no meu perfil de facebook num daqueles momentos de inspiração que me apetece partilhar com o mundo 🙂 )

 

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