Contradições e paradoxos

Contradições e paradoxos

World Trip Day 141 – Nos últimos 10 meses tenho sofrido grandes mudanças dentro de mim. Tenho colocado muitas coisas em causa e mudado de perspectiva em relação a diversas crenças antigas. Mas acho que a principal mudança tem sido o meu cepticismo. Desde há uns meses para cá que já não olho para a vida da mesma forma, cheia de fadinhas e unicórnios, cheia de positividade e de “tudo é possível”, mas com mais “realismo”.

Não aconteceu nada de mal comigo, também não estou negativa, nada disso, mas cá dentro há crenças a mudar.

Vejo as frases motivacionais nas quais acreditava piamente e algumas, hoje em dia, ou me enjoam ou me dão vontade de rir. Sinceramente. Não é que já não acredite nelas, em algumas de facto já não acredito, mas hoje percebo que a maior parte são mais frases sexys do que reais descrições da realidade das pessoas que as apregoam.

E sei disto porque algumas destas pessoas eu conheço pessoalmente e já vi com os meus olhos que o que dizem não é necessariamente aquilo que são. Outras sei porque basta olhar para os seus resultados para verificar que não confirmam as frases sexys que dizem. E, finalmente, sei porque quando parei para pensar em algumas dessas frases percebi que não fazem sentido nenhum, para além de que muitas delas na verdade se contradizem.

“A humildade é a maior das virtudes” … MAS …
“Lembra-te que a pessoa mais importante do mundo és tu mesmo” LOL

“Está presente, no aqui e no agora” … MAS …
“Corre atras dos teus sonhos e cria o teu futuro” LOL

“Aprende a gostar de ti como és” … MAS
“Tenta sempre ser melhor amanhã do que és hoje” LOL

“O corpo alcança o que a mente acredita” Sorry! Mas não. Há muita coisa que o meu corpo não alcança por muito que a minha mente acredite nisso. Aliás se a minha mente acreditar que o meu corpo consegue respirar debaixo de água, isso pode ser um problema 

“Somos a média das 5 pessoas com quem mais nos relacionamos”. Esta deixa-me louca. A sério!!! Gostava mesmo de ler o estudo científico que chegou a essa conclusão. Só que não há! É só uma frase bonitinha. E já agora, sou a média das 5 pessoas com quem me relaciono em que sentido? Em termos de Realização? Motivação? Amor próprio? Performance sexual? What? (gostava de saber como é que mediriam essas coisas, principalmente a ultima, LOL)

Bom, andava eu neste derrubar de ideias em que já não acredito, quando há uns dias, numa das minhas aulas de yoga, a professora disse para respeitarmos o nosso corpo.

Disse: “Aqui não é o sitio para pôr o corpo a fazer o que nós queremos. Aqui é o sítio para fazermos o que o nosso corpo está a pedir. O Yoga parte de um pilar de não violência e esse pilar começa connosco mesmos. Não violência para com as outras pessoas, para com os animais, para com o ambiente e principalmente, para com o nosso eu”.

Achei aquilo fascinante. Por isso, lá me pus a respeitar o meu corpo, o que, para uma pessoa que está agora a iniciar uma prática de yoga, não é bonito de ser ver LOL.

Mas mais tarde na aula ela disse-nos também: “Se estás a sentir dificuldades nesta posição, fica aí, mesmo assim. Sente a tua força”

E pensei … “Mas então não era para respeitar o meu corpo e não violência e tal?”

Achei aquilo uma contradição, tal como a contradição que acho que existe nas frases do desenvolvimento pessoal. O que é a verdade então? O que é que devo fazer? Respeitar? Forçar? Fiquei confusa.

Fiquei uns dias a pensar nisto, meio intrigada, meio revoltada e percebi que faço isto em tudo. Quero 8 ou 80. Tudo ou nada. Agora ou nunca. Preto ou branco. Esquerda ou direita. E esta rigidez às vezes prejudica-me. Casmurrice espiritual!

E aí refleti que talvez as frases que se contradizem sirvam para ser integradas. Talvez não seja respeitar o meu corpo OU sentir a minha força, mas sim respeitar o corpo E sentir a minha força.

Claro que integrar os opostos é sempre mais trabalhoso, por isso tenho preferido escolher um dos caminhos apenas para me desiludir com ele mais à frente e por causa disso ficar sem estrutura onde me agarrar. Se deixo de acreditar naquilo que era um pilar meu, a coisa desmorona. Talvez a solução não seja escolher um pilar em vez do outro, talvez a solução seja acrescentar novos pilares e criar uma rede mais sustentável.

Mesmo assim, há frases sexys que deixaram de me fazer sentido? Há!

Mas tenho de estar grata a todas as aprendizagens que fiz. Ao desenvolvimento pessoal, à Joana hiper científica que existia antes do coaching, à Joana que está a surgir e a quem essas duas filosofias já não chegam.

Não sei o que vai surgir daqui. Que novos pilares estão a caminho, mas desta vez vou permitir a mim mesma (ou pelo menos tentar) não deitar fora coisas antigas mas sim, integrar coisas novas.

Vamos ver no que é que dá … talvez no futuro consiga estar mais no presente 😀 LOL

Boa semana!!!
Jo