Uma vida e depois outra …

Uma vida e depois outra …

World Trip Day 94 – Ando para aqui a pensar que talvez a vida seja na verdade um conjunto de várias vidas umas a seguir às outras. Já perdi a conta ao número de vezes que disse a mim mesma “Agora sim! Já sei quem sou”, apenas para ver essa afirmação desmentida meia dúzia de anos depois. De início essa compreensão causou-me alguma frustração (e ainda causa). Estar outra vez perdida de mim sem saber quem é a Joana afinal não foi fácil (nem está a ser). Mas de repente pensar que, se calhar, essa Joana já não existe, que ficou na última vida desta vida e que agora está a dar lugar a uma nova Joana e que isso voltará a acontecer uma e outra vez até chegar ao fim da linha, tem algo de muito gratificante. É um verdadeiro alívio. 

É que quando te perdes de ti começas a colocar-te em causa. Começas a achar-te uma fraude. Uma mentira. Julgas-te pelo facto do impulso que te fazia avançar e chegar cada vez mais longe ter desaparecido. “Então, mas vou fazer o quê?”, questionas-te. Não sabes quem és. Não sabes para onde vais. Afinal as certezas que tinhas eram apenas feitiços, distrações momentâneas, mitos urbanos internos. E isso pode ser bastante difícil. Mas se em vez disso considerares que a vida não é uma linha com princípio, meio e fim, mas sim um conjunto de várias vidas, então paras de ser tão exigente e duro contigo mesmo.

Acho que essa consciência alivia muito a pressão que sentimos de querer descobrir quem realmente somos e de dar uma continuidade evolutiva interminável a essa persona. Se acreditarmos que podemos ser tudo, as vezes que quisermos, se acreditarmos que de tempos em tempos nos podemos reinventar e decidir diferente do que andámos a fazer até então, se acreditarmos que podemos multiplicar as oportunidades que temos para descobrir novas facetas da nossa personalidade, então não ficaremos reféns de escolhas antigas que já passaram de validade. Temos a oportunidade de renascer como quisermos tendo a consciência de que nem essa nova persona será eterna e que nos poderemos renovar uma e outra vez enquanto aqui andarmos.

Se a vida não é uma vida, mas sim um conjunto de várias vidas, então a vida não é uma constante construção, na qual és obrigado a evoluir sempre para um patamar superior mas sim um conjunto de etapas. E em cada etapa começas de novo como um bebé que de nada sabe e que, por isso, tem tudo para descobrir. Isso tira a pressão da evolução constante relativa à etapa anterior. Ora porque se a nova etapa nada tem a ver com a anterior então não se lhe pode ser exigido que seja uma progressão da anterior mas sim um primeiro passo numa nova direção, num novo propósito, para um novo destino.

Filosofias … 
Tem um lindo domingo!
Jo 

 

Photo tirada em Three Sisters Springs em Crystal River, Orlando, EUA