Amor e Tolerância

Amor e Tolerância

Hoje cheguei ao escritório pouco antes das 13h e estacionei entre dois carros num lugar bem apertadinho. Quando saí depois das sessões, às 21h, tinha o limpa para-brisas levantado e um bilhetinho a dizer “aprenda a estacionar”.

Realmente quando olhei para o meu carro ele estava estacionado de maneira que parecia que estava a ocupar dois lugares. Pelos vistos ao longo da tarde, com carros a entrar e a sair, os outros condutores estacionaram de forma a que o meu carro, ali parado há 8h, parecia ter sido negligentemente abandonado a ocupar duas vagas 🙂

Dei por mim no caminho até casa a pensar neste tipo de situações e lembrei-me de outros exemplos …

Há vários anos atras, quando ainda trabalhava num ginásio, sugeri simpaticamente a um cliente, altamente dedicado à sua corrida, que trocasse a sua t-shirt antes de começar o seu treino de força nas máquinas de musculação. Passado uns minutos veio ofendido dizer-me que havia mais pessoas suadas nas máquinas e que eu apenas o tinha abordado a ele com aquele tema. Pelos vistos ele tinha percebido que a minha intenção era proteger as máquinas de musculação do seu suor, quando a minha intenção era protege-lo a ele de uma constipação como consequência de ir fazer treino de força com a t-shirt ensopada em suor. Embaraçado, apressou-se a pedir desculpa pelo mal entendido quando lhe expliquei o que pretendia com o meu conselho.

Há umas semanas visitei uns amigos e, conversa puxa conversa, fofoca puxa fofoca, começaram a contar-me que alguém lhes tinha contado que a pessoa X (nossa conhecida) tinha traído o namorado durante um ano, antes de finalmente terminarem a relação. “Coitado dele”, diziam. Há muitos anos que não dou energia a este tipo de conversa porque não vejo grande benefício em falar da vida e das escolhas dos outros. Primeiro porque não tenho nada a ver com isso e, depois, porque eu própria já fui acusada injustamente de trair um namorado, pelo próprio e pelas outras várias pessoas a quem ele, vitimizando-se, contou a sua versão invertida da história.

Tenho refletido algumas vezes sobre a quantidade de vezes que nos julgamos uns aos outros injustamente apenas porque escolhemos ver a vida de forma negativa. A verdade é que nem sempre aquilo que vemos ou ouvimos corresponde à verdade, ou simplesmente à “verdade” que escolhemos acreditar. O que será que leva alguém a pensar o pior dos outros, sem colocar a hipótese de que, talvez, a situação não seja exatamente como nos parece ser a olho nu, ou à primeira vista, ou como nos contaram. Claro que depois é um ciclo vicioso … quanto mais me foco no pior das pessoas, das situações, da vida, mais elas me parecem escolher especialmente a mim para me incomodar nos piores momentos.

Este raciocínio tem me acompanhado nos últimos anos …

Não assumir o pior das pessoas, assumir que cada um de nós está a fazer o melhor que sabe a cada momento, que o mundo não anda por aí a viver para me tramar, que eu não sou o centro de todas conspirações, que o que as pessoas fazem e o que elas são nem sempre é a mesma coisa e, principalmente que a minha necessidade de dar lições de moral às outras pessoas pode apenas representar falta de algo mais interessante para focar a minha atenção na minha própria vida.

Correndo o risco de estar eu própria a julgar os julgadores e a mim própria 🙂 acho que estas pequenas histórias podem servir-nos de exemplo para que abordemos as nossa vidas com mais tolerância. Sei que me tenho esforçado bastante para tal nos últimos anos e só tenho tido vantagens com isso. Quando percebemos o mundo com uma perspectiva amorosa e tolerante é isso que vamos receber … Amor e Tolerância.

É isso mesmo que te desejo 🙂 Amor e Tolerância

Jo ♥